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sábado, 19 de novembro de 2011

VAMOS TRANSGREDIR?

Quando a transgressão deve ser praticada? Temos exemplos de transgressões bem sucedidas?
Moisés devia ser morto ao nascer, mas as parteiras transgrediram a ordem do rei (Êx1:15-22) e foram abençoadas. A família do menino arriscou-se mantendo a criança por três meses em casa (Êx 2:1-10). Essa família  transgrediu e produziu o libertador.
Moisés, quando adulto, transgrediu as normas culturais da época, recusando-se  a ser chamado filho da filha de Faraó (Hb 11:23, 24). Foi graças a essa transgressão que se tornou o libertador do povo.
Parece até que há liberdade na transgressão. Não estou falando daquela atitude irresponsável que muitos confundem com liberdade.  Se estivesse pensando assim seria alvo de condenação dos moralistas. Mas, eu não sou contra a moral. Sou contra a prisão. E há muitas prisões  que eu gostaria de derrubar: o medo de ousar, o comodismo, o preconceito, as ideias fixas e as certezas.
 Parece que devemos ser gratos aos que trasngrediram porque é graças a eles que hoje voamos, transgredindo a lei da gravitação. Somos gratos às mulheres que transgrediram a cultura machista e nos legaram mais equilíbrio no mundo. Hoje somos  mais humanos.
A sunamita cujo relato se encontra em no segundo livro dos Reis (2Re 4) foi uma transgressora. Ela primeiro devia falar com Geazi, mas ela transgrediu esse costume e foi falar com o profeta. Não foi punida. Pelo contrário, foi recompensada com a ressurreição do filho.
Uma mulher que sangrava havia doze anos  tocou num homem (Jesus) (Mt 9:20), trasgredindo a regra social da época. Ela não poderia ter tocado em nenhum ser humano, mas ela tocou e foi curada.
Nem sempre se recebe maldição por transgredir. É uma pena que conselheiros menos avisados fiquem amedrontando a juventude com o exemplo do filho  pródigo, como se toda pessoa que escolhe o seu próprio caminho estivesse fadada ao fracassao. Nem sequer observam que na  referida parábola o foco era o amor do pai, a sua tolerância, a sua bondade. Para evidenciar essas qualidades o jovem teria que se dar mal, portanto, a parábola foi forjada para o jovem se dar mal e o pai evidenciar a sua bondade.
Generalizar isso, dizendo que sempre se dará mal o jovem que escolhe o seu caminho, é invenção desses conselheiros promotores da mediocridade.
Encontramos na Bíblia inúmeras pessaos que romperam com o comodismo  e sairam da mediocridade. Para sair da mesmice é preciso transgredir.
Paulo transgrediu as regras do judaísmo. Uma mulher transgrediu as regras sociais ao lavar os pés de Jesus com perfume durante uma refeição.
Judas não transgrediu as regras do seu tempo. Um homem como Jesus, que não se rebelava contra os romanos, devia morrer pela concepção dos zelotes e dos sacerdotes e Judas foi obediente a essa regra até à morte.
Há pessoas que saíram da mediocridade, transgrediram para serem livres,  e outras que morreram nela, isto é, obedeceram para a morte.
Rute Noemi em seu artigo na Revista “A Voz Missionária” de maio/junho de 2007 afirma que precisamos  romper com o comodismo da institucionlizaçao para garantir o salário. Diz ela que pastores medíocres pastoreia a si mesmos, os seus salários, ficando presos a certas regras institucionais que já deviam ter sido rompidas.
É preciso coragem para ousar romper com certas regras que nos aprisionam. Muitas pessoas estão presas a dogmas elaborados por homens e nem sequer questionam se tudo aquilo não poderia ser diferente. Muita gente repete infinitamente as mesmas palavras, o mesmo ritual, sem suspeitar que tudo isso poderia ser diferente. Muitos ouvem sempre as mesmas recomendações sem suspeitar que estão ultrapassadas.
Às vezes é preciso sair da rotina e fazer diferente, sem medo*.
Como disse Rute Noemi em seu artigo já citado: precisamos deixar de ser “hipocritamente obedientes para sermos decentemente transgressores”.
Nova Andradina, 18 de novembro de 2011. 
Antonio Sales                          profesales@hotmail.com
*Sugiro a leitura de alguns textos deste mesmo blog:
http://apontandocaminhos.blogspot.com/2011/07/servicos-essenciais-ii.html
http://apontandocaminhos.blogspot.com/2011/08/o-filho-prodigo.html

terça-feira, 15 de novembro de 2011

DE QUEM É A IGREJA?


A resposta imediata que se ouve para essa pergunta é: a igreja é de Deus.
No entanto, é um resposta simplista que não atende a determinadas necessidades. Vamos analisar alguns aspectos dessa complexa questão.
Se penso na igreja em termos de  idealização (quem a idealizou), de responsável máximo então é correto dizer  a que a igreja é de Deus.  Da mesma forma que é correto alguém dizer que o Brasil é da Presidente Dilma quando estiver se referindo a gestão, política, plano econômico, etc. Pode-se até dizer que o Brasil da Dilma é diferente do Brasil do Lula. E é mesmo, pensando no fatores citados.
Se penso em termos de existência, responsabilidade pelo funcionamento, na postura ética que cada um deve ter. Se estou preocupado com a produção de riqueza, com o gerenciamento de pequenas e grandes empresas  que integram a sociedade brasileira, então o Brasil não é da Presidente, ele é nosso. Da mesma forma a igreja. Quando penso no seu funcionamento, a igreja é nossa. Somos nós que a fazemos funcionar. Nós a mantemos com os nossos dízimos e ofertas. Mantemo-la com a nossa administração, nosso tempo, nossos conhecimentos, nossa divulgação, nossa fé, e assim por diante.
Se penso nas funções sociais  que uma igreja deveria desempenhar, nas contribuições que deveria trazer para a socialização das pessoas. Quando considero a ajuda para a superação da solidão das pessoas, as orientações que ela poderia transmitir sobre o viver saudável (não necessariamente ou inicamente saúde física), então vejo a igreja como uma instituição da sociedade. Ela foi criada a partir de uma necessidade  social.
Quando penso em questões escatológicas, batismo com o Espírito Santo, provisão de profetas, profecias e inspiração, a igreja é de Deus. Só Ele pode proporcionar tal direcionamento. Somente Ele pode decidir quando e como fazer certas coisas acontecerem.
Quando penso numa igreja que se envolve, que faz mais do que pregar. Uma igreja que leva orientação à famílias em crise, que apóia cidadãos desempregados, que orienta jovens para o mercado de trabalho, que estimula a leitura, que promove  a ousadia, então eu digo que a igreja aé nossa porque essa é uma atividade humana. Somente os seres humanos podem realizar tais tarefas.
Quando penso nas pessaos que virão à igreja em busca de apoio emocional. Quando penso nos jovens que virão à igreja porque aqui encontrarão orientação espiritual, intelectual e social. Quando penso nos solitários que virão à igreja porque aqui encontrarão uma palavra amiga, um sorriso, um tapinha nas costas, um abraço. Quando penso na vítima de violência que virá à igreja para curar-se emocionalmente e, ao mesmo tempo, aprender a se livrar do violentador. Quando penso no adicto que virá à igreja em busca de orientação e apoio para deixar a droga. Quando penso nos jovens que virão à igreja para cantar, compor corais e conjuntos, participar de reuniões de estudos (bíblicos ou não), sem serem molestados por velhos carrancudos e infelizes que infestam a igreja, então eu digo: a igreja é da sociedade. É da sociedade tanto quanto um restaurante que, sendo particular, abre as suas portas para todos que o procuram e procura atender as necessidade e anseios de todos eles. É as sociedade tanto quanto uma clínica, ou uma loja, que oferece produtos par ao bem-estar social.
Talvez seja pelo fato de dizermos sempre que a igreja é de Deus que se investe tão pouco no preparo de pregadores, que se estimula tão pouco a leitura, que se acolhe tão pouco as pessoas que chegam. Deve ser pelo fato de considerarmos a igreja como de Deus que não se investe no preparo das pessoas para liderá-la. Se ela é de Deus  deixemos por conta Dele essas coisas porque, se sair mal feito,  o problema é Dele.
Deveríamos falar em igreja de Deus na hora de falar  em milagres, derramamento do Espírito e  conversões. São tarefas divinas. Mas é exatamente nesse ponto que apelamos para  que as pessoas assumam a  responsabilidade por  tais tarefas. Quando deveríamos apelar para Deus sobrecarregamos as pessoas com a responsabilidade de resolver os problemas.
Poucas igrejas se veem como instituição social e deve ser por isso que se veem tão pouca mudança de vida nas pessoas. Elas vivem (vivem?) em um mundo à parte. Um mundo indefinido onde não se sabe se o cristianismo deve ser praticado para agradar a Deus ou para servir ao próximo.
O cristianismo é para ser vivido ou meditado? Se  a igreja é uma instituição social então ele é para ser vivido, praticado. Se a igreja é uma insituição espiritual então o cristianismo é para se meditado.
Deve ser meditado quando é um ideal, algo ainda não atingido. Deve ser praticado quando é real, quando faz parte da vida orientando relacionamentos e práticas saudáveis.
De quem é a igreja que você frequenta?
Nova Andradina, 15 de Novembro de 2011.
Antonio Sales                          profesales@hotmail.com

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O PROCESSO DIVINO DE SIMPLIFICAÇÃO


Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa, pela fé em Jesus Cristo, fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar”(Gl 3:22,23).
Ao elaborar o plano da salvação Deus optou pelo processo simplificado porque as pessoas, de modo geral, têm habilidades diferentes. Uma apresenta facilidade para determinada ação ou para certo comportamento. Outra apresenta preferências e habilidades para outras ações e comportamentos. As habilidades são múltiplas e as diferenças pessoais também.
Uns suportam com facilidade certas provas e cedem facilmente diante de outras. Para outros as dificuldades estão na ordem inversa. Os níveis de dificuldades são múltiplos e as diferenças individuais também são múltiplas. Essas dificuldades também variam com a experiência da pessoa, portanto, em cada idade há um grau diferente de dificuldades e de facilidades.
Um tratamento individualizado exigiria classificar as pessoas levando em conta as suas dificuldades e facilidades e os diferentes graus com que elas se apresentam. A graça divina teria distribuição gradativa, isto é, proporcional às dificuldades de cada um.
Deus, porém, procurou um caminho mais fácil, um método simplificado de resolver o problema. Ele encerrou a todos debaixo do pecado, considerou todos no mesmo nível e dificuldade e liberou a graça em quantidade suficiente para todos (Gl 3:22). É por isso que Paulo afirma que Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há masculino nem feminino; porque todos vós sois um, em Cristo Jesus”(Gl 3:28) e afirma ainda que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23).
É interessante que Ele nivelou por baixo as dificuldades e habilidades e nivelou por cima a dispensação da graça. É como se Ele dissesse: é possível que sobre graça, mas é preferível sobrar para todos a faltar para alguns.
“Aquela fé que se havia de manifestar”, de que fala Paulo, penso ser uma referência à aceitação da graça por parte do pecador.
Na perspectiva da promessa divina, do plano simplificado da salvação, a lei (especificamente os dez mandamentos) não é incorporada à proclamação do evangelho porque não importa o grau de pecado (maldade, fraqueza, desobediência aberta ou não), importa somente a grandiosidade da promessa (disponibilidade da graça).
Isso é difícil de entender por quem tem o legalismo como sua base de formação. A pergunta imediata que surge é:
Por que a lei foi dada?
Paulo diz que é por causa da transgressão (Gl 3:19). Ela foi dada para aprisionar o selvagem, para inibir os maus, para controlar os não-convertidos até que viesse a fé ou promessa (Gl 3:23). A lei, conforme a concebemos normalmente e os judeus a concebiam também, é para os transgressores. Lei para os judeus era (e para muitos hoje ainda é) sinônimo de proibição, de controle.
Este texto tem outra concepção da lei, como será exposto logo mais.
Esclareço não estou propondo que façamos o jogo da lei contra a graça ou fé. Concordo com Paulo que a lei não é contra as promessas (Gl 3: 21) e nem as promessas contra a lei. Elas atuam em esferas diferentes da vida humana. Não há oposição, há funções diferentes. Para ajudar na compreensão apresento a seguir as três funções da lei.
A lei tem três funções específicas, a saber:
1.      Controlar, coibir, impedir, definir erros.
Essa função se aplica aos não-conversos. Os preceitos de “não matarás”, “não furtarás” são para os não-conversos, para quem não foi atingido  pela “flecha” transformadora da graça. Toda proibição só faz sentido para os maus, para os caídos, para os não-civilizados.
Controle é a concepção judaica  da lei.
2.      Orientar relacionamentos.
Ao estipular os direitos dos outros e definir os meus limites ela orienta os meus relacionamentos.
O sermão do monte contém princípios orientadores de bons relacionamentos. Nos capítulos treze e quatorze da carta aos romanos, Paulo também enfatiza essa função da lei.
Como fonte de orientação a lei se faz necessária para todos, indistintamente. É a sua função educativa. Os conversos também precisam ser educados, orientados.
3.                      Estimular práticas socialmente saudáveis.
Respeitar os idosos, proteger as crianças, suportar os fracos na fé, apoiar projetos sociais, amar o próximo como  a si mesmo, fazer brilhar a luz, ser sal da terra, orar pelos inimigos, são práticas saudáveis que a lei estimula. Essa função somente faz sentido  entre os convertidos. Somente para os “bons” faz sentido estimular as suas práticas.
Como se pode ver, lei aqui tem sentido amplo. É toda instrução, toda regra.
Os estímulos são para os cristãos, as orientações são para todos e as proibições são para os perversos. Por isso Paulo diz que ela vigora até que chegue a fé.
O que faz sentido dizer para o convertido?
a)que ele não deve adulterar, b) como evitar cair nessa cilada ou c) como respeitar o cônjuge?
Nova Andradina, sábado,  05 de novembro de 2011.
Antonio Sales   profesales@hotmail.com

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

SOU LEGALISTA


Minha cultura religiosa foi constituída no contexto de uma comunidade legalista. A instituição dizia-se portadora da verdade, portanto, inquestionável, e enfatizava o legalismo em cada leitura proposta.
Não estou dizendo que sempre se falava da lei, estou dizendo que a ênfase era nos deveres, nas obrigações, nos procedimentos, na necessidade da ausência de erro. O culto era, ou deveria ser, excessivamente formal. Não se discutia o privilégio de ser cristão, mas o dever de um cristão. Éramos concitados a imitar a Cristo no serviço e na obediência, mas não na tolerância, autotolerância e na liberdade interior.
Não significa que não se falasse em felicidade, alegria e privilégio. Significa que o discurso era teórico e que não atingia a prática. O próprio orador que falava de felicidade não se revelava feliz. A cada privilégio enumerado correspondia um dever, para cada motivo de alegria havia uma advertência. Alegria, felicidade e esperança eram conceitos abstratos, não tangíveis.
Numa leitura bíblica a lei fluía naturalmente ainda que de forma não explícita. Era possível, em cada sermão, prever que a conclusão seria sobre o dever, sobre a vigência da lei, uma condenação do mundo ou mundanismo ou um apelo para que deixássemos a vida que levávamos como se todos nós estivéssemos sempre errados em nossa conduta.
 Os discursos sobre a graça eram teóricos e sempre conduziam para a lei, para o dever, para as exigências, para a necessidade de um bom exemplo, para a prestação de contas.
Não haviam palavras de ânimo, de esperança (não se trata de um discurso sobre esperança) de incentivo. Em outras palavras: éramos sempre devedores, sempre necessitávamos cumprir certos requisitos, e isso para mim é legalismo. Como pessoas estávamos sempre do lado errado e tendo algo para ser corrigido.
A ênfase no dever é legalista. Todo excesso de exigência é legalista. A vigilância constante é legalismo.
Não sou favorável a um discurso centrado nos direitos. Penso que um discurso religioso deve ser equilibrado ou produtor de equilíbrio. A sua ênfase deve ser na cidadania que significa ter direitos e deveres no mesmo nível. Privilégios e reponsabilidades recebem a mesma ênfase. Ausência de perfeccionismo e ausência de absenteísmo são tratados com igualdade. Agir com autonomia é o foco. Não há condenação por antecipação.
Não foi isso que vivi. Aprendi a temer em cada decisão a ser tomada, sofria a condenação previamente.
Hoje, algum tempo após ter iniciado uma campanha de autolibertação, ainda me surpreendo sendo legalista. Ainda tenho dificuldade para conceber uma vida conduzida pelos ditames da graça e sem os imperativos da lei.
A graça ainda é fugidia para mim. A única concretude que vejo é o pecado e a lei. A graça ainda não dominou a minha mente e o meu discurso sobre ela ainda tem muito de teórico. Ainda se assemelha aos que ouvi durante todos os anos da minha experiência religiosa. Uma graça mais de definição do que de vivência, mais de discurso do que de experimentação.
Com frequência, maior do que gostaria, sou apanhado me identificando com o judeu Kamimer (YANCEY, 2011, p. 145) que tentando compreender o cristianismo confessou que “como artigo de fé, essa doutrina da salvação pela graça é pouco atraente para mim. Ela tem, segundo me parece,  notável desprezo pela justiça e idealiza um Deus que valoriza a fé mais do que a ação [...]”. Confesso que me seria mais fácil se Deus dissesse para a gente deixar essas questões de graça e fé de lado e mandasse que obedecêssemos aos Seus mandamentos.
Sou como aquele aluno que interrompeu a minha aula, em que eu entusiasmado discorria sobre a teoria matemática que embasava o tema abordado,  e disse:  professor, não é mais fácil dizer como se resolve o exercício?
Eu não sei ser autônomo, quero diretividade. Eu não quero entender, quero fazer. Não sei conduzir a minha vida, quero ser conduzido.
Tenho vontade de romper com o legalismo, mas ele está entranhado  na minha natureza religiosa. Faz parte da minha vida, integra o meu  eu porque foi introjetado ali com muita força (Rm 7: 21).
Esse é o legado da minha experiência religiosa. Sou legalista.
Até quando?
Nova Andradina, domingo, 06 de novembro de 2011.
Antonio Sales            profesales@hotmail.com
Referência
YANCEY,  Philip. O Jesus que eu nunca conheci. São Paulo: Vida, 2011.